Presidente do Observatório Social do Brasil vem a Ribeirão Preto para falar sobre a participação popular no combate à corrupção

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Palestra integra evento comemorativo aos 15 anos da BLB Brasil Auditores e Consultores

 

Na próxima quarta-feira, (dia 31), o presidente do Observatório Social do Brasil (OSB), Ney Ribas, estará em Ribeirão Preto para falar sobre o papel de cada cidadão no combate à corrupção e na transformação do País. Também abordará a responsabilidade das empresas nesse processo. “A mudança que o Brasil precisa está em cada um de nós. Enquanto terceirizarmos a responsabilidade, não vamos mudar”, afirma.

Durante a palestra “Pacto pelo Brasil: gerando valor com atitude”, ministrada a partir das 19h, em evento comemorativo aos 15 anos da BLB Brasil Auditores e Consultores, no espaço Absoluto, Ney apresentará o trabalho realizado pelo Observatório, atualmente, presente em Ribeirão Preto e outras 134 cidades, e analisará o contexto político do País e o papel de cada setor no cenário atual.

A ideia é sensibilizar os diversos setores sociais para o resgate dos valores e a retomada do papel de cada um na construção de um legado para o País. Ele ressalta que as empresas têm um papel fundamental na construção desse legado, a partir de atitudes íntegras.

“No programa Pacto pelo Brasil nós  propomos que cada organização, entidade e empresa possa assumir um projeto, com a proposta: ‘qual é a contribuição que eu posso dar para as mudanças que eu desejo no Brasil?’. Eu posso apoiar uma creche do bairro, um projeto de prevenção para o meio ambiente, um programa de estágio na minha empresa? Tudo começa no exemplo que a alta direção de uma empresa dá aos seus colaboradores. Não é algo apenas para constar no papel. É para acontecer na prática”, finaliza.

Depois de tantos episódios de corrupção comprovados e tantos outros que ainda estão sob investigação e julgamento no País, houve uma maior mobilização popular acerca do tema. Mas na opinião de Ney, não basta apenas que a sociedade fique mais consciente e atenta, é preciso uma mobilização maior, com ações diretas sobre as atividades do Poder Público.

“Fizemos questão de trazer o Ney para Ribeirão por acreditarmos e apoiarmos iniciativas como a do Observatório Social, pois acreditamos que a mudança começa a partir de cada um de nós, e que é necessário que todos se envolvam. A começar pela comunidade empresária. Acreditamos que a iniciativa privada pode e deve exercer o seu papel na busca por um Brasil melhor. O programa Pacto pelo Brasil é um dos caminhos”, afirma Rodrigo Barbeti, sócio-fundador da BLB Brasil.

Sobre o Observatório

A primeira unidade do Observatório Social surgiu em 2006, em Maringá (PR), após a descoberta de casos de corrupção que tirou mais de R$ 100 milhões dos cofres da cidade. O fato fez com que a sociedade se organizasse e os cidadãos tornaram-se protagonistas na fiscalização do dinheiro público local.

A metodologia da instituição – não governamental e sem fins lucrativos -, foi implantada em outras 135 cidades (inclusive, Ribeirão Preto), distribuídas por 16 estados. O objetivo é contribuir para uma melhor gestão pública por meio da criação e atuação de uma rede de organizações democráticas e apartidárias, formada por voluntários engajados na causa da justiça social.

“Não atuamos na linha de denuncismo. O trabalho é a promoção da cidadania no sentido mais amplo possível”, explica o presidente do instituto.

Ele estima que a rede, que hoje tem mais de três mil voluntários, contribuiu com a economia de mais de R$ 3 bilhões aos cofres públicos nos últimos cinco anos.

Objetivos e desafios

A proposta é evitar o desperdício antes que ele seja praticado. Impedindo, assim, que desvios como os que marcaram Maringá ou o rombo milionário da Sevandija, em Ribeirão Preto, continuem a ocorrer.

Para Ney, ainda é um grande desafio encontrar, nas cidades, líderes comprometidos com a sua comunidade. “Há muito discurso, mas não vamos colher nada diferente se continuarmos agindo da mesma maneira. É preciso identificar essas lideranças, aquelas que realmente saiam do discurso para a ação”. De acordo com ele, se a pessoa não tiver tempo para atuar como voluntário pode contribuir com um valor financeiro.

É preciso também um trabalho de desenvolvimento e empoderamento da juventude local. “Os jovens têm grande potencial, mas precisam de referência. Nós precisamos dar a eles a oportunidade de vivenciar e desenvolver suas habilidades e virtudes. Afinal, eles assumirão o comando dessa nação no futuro”, afirma.

Transparência

Ney Ribas destaca que a transparência nas prefeituras não é favor, é obrigação, pela Lei da Transparência. Mas colocar isso na prática requer vontade política e o acompanhamento mais próximo da sociedade exerce maior pressão para que a lei seja cumprida. “Não basta ter o discurso de ‘ser transparente’, a prefeitura precisa colocar o discurso em prática e disponibilizar para a sociedade todas as informações de sua gestão, onde cada centavo está sendo gasto”. Para ele, o que falta, nesse momento, é que a sociedade cobre dos gestores e dos agentes públicos essa postura.

Para que haja uma real mudança, Ney alerta que o combate à corrupção tem de vir da atitude de cada cidadão. “A corrupção começa nas nossas atitudes, nos exemplos que damos para os nossos filhos, colaboradores, amigos. São os pequenos delitos que todos nós praticamos e a sociedade ainda tolera como furar a fila do banco e até mesmo fazer uma ligação clandestina de internet”. Para que a mudança ocorra, é preciso resgatar valores para que as crianças e jovens tenham referências, possam tornar-se líderes e construir um legado melhor para o País. “A mudança que o Brasil precisa está em cada um de nós. Enquanto terceirizarmos a responsabilidade, não vamos mudar”, finaliza.

Observatório em Ribeirão Preto

O Observatório Social de Ribeirão foi implantado há quatro anos e conta com seis voluntários, um número ainda pequeno, pois de acordo com o presidente da unidade local, Alberto Borges Matias, seriam necessários 25 voluntários para que o núcleo desenvolvesse todas as atividades necessárias. Ele afirma, entretanto, que após a Sevandija, a população passou a olhar com mais atenção para o trabalho do Observatório. “A sociedade se assustou com tudo o que aconteceu e está mais disposta a apoiar. Sem esse apoio não temos como trabalhar”.

O maior desafio, ele diz, é equacionar o número de voluntários com o extenso trabalho a ser feito. Tem boas perspectivas, porém. “Hoje, nós percebemos que há aceitação do nosso trabalho pela Câmara Municipal, pela Prefeitura. É um movimento geral da sociedade”.

O Observatório Social de Ribeirão Preto fica na Rua Visconde de Inhaúma, nº 489, 4º andar, sala 408, Centro. Mais informações pelo (16) 3512-8177 ou www.observatoriosocialrp.org.br

Corrupção em Ribeirão – Operação Sevandija

Em setembro de 2016, a Polícia Federal e o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de São Paulo) deflagraram a Operação Sevandija: maior escândalo político de Ribeirão Preto.

Além da ex-prefeita Dárcy Vera, secretários de governo foram presos e vereadores estão sendo acusados de participar do esquema fraudulento. As investigações apontam para um desvio de mais de R$ 200 milhões dos cofres públicos municipais.

Em setembro deste ano, Dárcy Vera foi condenada a 18 anos e 9 meses de prisão pelas fraudes praticadas.

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