André Mehmari apresentará a inédita Suíte Policarpo na abertura da Flip

Inspirado no mundo de Policarpo Quaresma, personagem de Lima Barreto, o pianista, arranjador e compositor André Mehmari (Niterói – RJ, 1977) apresentará uma suíte inédita criada especialmente para a abertura da Flip 2017, que ocorre de 26 a 30 de julho, em Paraty.

O show ocorre no Auditório da Praça, na quarta (26/7), às 21h30, e terá acesso livre.

Suíte Policarpo

O recital é composto por quatro movimentos: modinha, valsa, dobrado e maxixe, que, segundo o músico, estão relacionadas à obra de Lima Barreto e ao momento histórico em que ele viveu. “As temáticas estão ligadas, sobretudo, a questões de mestiçagem e da identidade do Brasil. Isso tudo em contraste com informações e músicas da Europa. Diria que o tema da suíte é o piano brasileiro, um instrumento europeu tocando uma música mestiça”, afirma Mehmari.

Além da Suíte Policarpo, Mehmari interpretará a obra de Ernesto Nazareth (1863-1934), um dos gênios no período de formação da música brasileira no Rio da virada para o século 20, época em que viveu Lima Barreto. Arranjos inventivos reavivam composições que Nazareth fez surgir a partir de uma afortunada combinação de ritmos que inclui desde o lundu africano à habanera cubana e à polca da Boêmia.

O recital deve ter em torno de uma hora de duração e um CD exclusivo de Mehmari, gravado especialmente para a Flip, estará à venda durante a festa.

Policarpo Quaresma

Um dos personagens mais conhecidos de Lima Barreto, Policarpo se interessa em aprender violão e contrata um professor particular, Ricardo Coração dos Outros. A família e os vizinhos desaprovam tal conduta, porque acreditam que violão e seresteiros como Ricardo Coração dos Outros não são “gente de bem”, como narra Lima Barreto. Há toda uma sequencia inicial no livro que mostra a peregrinação de Policarpo e o vizinho, o general Albernaz, pelo subúrbio “em busca de pretas e pretos velhos que tenham cantigas populares para lhes ensinar”, ainda segundo Lima Barreto, usando termos da época. Albernaz quer dar uma festa “à moda do Norte” e precisa de “uma trilha musical”.

O artista

A pesquisa musical meticulosa, somada à imaginação vibrante e ao virtuosismo técnico, marca a trajetória de Mehmari, artista singular com carreira internacional, premiado tanto no campo erudito quanto no popular.

Começou a aprender música ainda criança com sua mãe, em Ribeirão Preto. Ingressou no curso de piano da Escola de Comunicação e Artes (ECA-USP) em 1995, ano em que se estabeleceu na capital paulista. Teve suas composições e arranjos tocados por grupos como a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) e Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), Banda Sinfônica do Estado, Quarteto da Cidade de São Paulo e Quinteto Villa-Lobos. Elaborou trilhas como a do encerramento das Olimpíadas do Rio em 2016 e a da série 3%, a primeira produção brasileira da Netflix. Apresenta-se como solista e em duos, ao lado de outros grandes nomes como Antonio Meneses, Gabriele Mirabassi, Hamilton de Holanda, Maria Bethânia, Mônica Salmaso e Ná Ozzetti.

Dessa produção prolífica resulta uma discografia com composições próprias e interpretações de autores de todas as épocas, de Bach e Dowland a Dorival Caymmi, Milton Nascimento e Nelson Cavaquinho. Mantém seu próprio estúdio e um selo musical, o Monteverdi.

Flip 2017

A 15ª edição da Flip, com curadoria de Joselia Aguiar, homenageia Lima Barreto.

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