Advogado orienta como identificar risco de endividamento

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Especialista diz que é possível evitar a condição de endividamento e que aprender a identificar o risco é urgente neste período de alta da inflação e anúncio de recessão

Como começam as dívidas? A pesquisa “2021 Endividamento” da SERASA em parceria com a ONIONBOX analisou o endividamento da população no Brasil nos últimos 12 meses e reuniu dados do perfil do endividado. Segundo o levantamento, o desemprego responde por 30% dos casos de endividamento no país, 9% alegaram falta de controle, 11% emprestaram o nome, 3% tiveram atraso no salário, 5% relataram problemas de saúde, 7% alegaram compras de alimentos no dia a dia e 35% foram incluídos em “outros” motivos, como cobrança indevida, fraudes ou golpes.

Ao analisar os tipos de dívidas, o cartão de crédito figura como a principal dívida entre os inadimplentes (53%), depois vem o item lojas (34%), contas básicas, como agua, luz e gás (32%), telefonia celular (26%), empréstimos (26%), cheque especial (19%) etc. Os gastos apontados em cartão de crédito foram compras de alimentos, remédios e tratamentos.

O advogado Francisco Mendonça, do escritório Mendonça e Segatto de Ribeirão Preto, explica que, em tese, toda parcela de compra ou crédito contraída para pagamento futuro já caracteriza endividamento. Mas a diferença está no grau de dificuldade em cumprir com compromissos financeiros. “O endividamento se configura quando a soma das contas devidas for superior a 85% das receitas”, alerta. Segundo ele, há casos moderados de endividamento, mas não é incomum o superendividamento, daí a importância de se identificar precocemente a situação e os sinais que apontam para o problema. “Desta forma, é possível prevenir o problema”, diz.

Ele incluiu em seu e-book “Super Dicas para Negociar com Bancos” um capítulo com roteiro para orientar as pessoas a identificarem e prevenirem o endividamento. Segundo ele, é preciso saber:

  • Quando metade (50%) da renda mensal do indivíduo ou da família está comprometida para o pagamento de dívidas;
  • Quando a inadimplência chega a 90 dias, ou seja, quando a pessoa não consegue quitar contas devidas durante 3 meses;
  • Quando indivíduo ou a família está utilizando simultaneamente recursos de cheque especial, crédito pessoal sem consignação e crédito rotativo;
  • Quando as sobras do mês – após o pagamento das dívidas – estão abaixo de 15% do rendimento mensal

“Aquele que se enquadra em dois itens já é considerado endividado. No caso de identificação com mais de dois itens, pode se encontrar no caminho para o superendividamento”, alerta. O advogado, especializado em direito Bancário, fala que há muita desinformação sobre as situações que configuram o endividamento e a pessoa ou empresa descobre a condição depois que já se encontra endividada ou superendividada. “Se identificar a situação antes que ela se configure é possível prevenir”, alerta.

O estudo mostrou que 64% dos entrevistados consideraram que a pandemia impactou totalmente a vida financeira. Um dos grupos fortemente impactados foi o das mulheres (70%), depois vêm os jovens de até 30 anos (67%). Apenas 9% dos entrevistados disseram que a pandemia não impactou suas vidas ou pouco impactou.

Antes da pandemia, 34% dos entrevistados já tinham dificuldades para quitar todas as contas, especialmente mulheres e pessoas acima de 50 anos de idade. Cerca de 16% das pessoas relataram que passaram a ser responsáveis por arcar com as contas da casa, especialmente as mulheres. E os jovens de até 30 anos se apresentaram como os que mais acreditam que terão dificuldades em manter o pagamento de todas as contas após a crise.

“Esses números demonstram como as pessoas estão se endividando através de gastos necessários do dia a dia, e como o endividamento está se tornando um fator comum na rotina do brasileiro”, diz o advogado. Ele alerta para a importância da educação financeira para a organização das contas e, especialmente neste momento alta da inflação e perdas de postos de trabalho, para que as pessoas saibam fazer autoavaliação a fim de identificar se estão em risco de tornarem-se endividadas.

Serviço
E-book:
https://www.mendoncaesegatto.com.br/super-dicas-para-negociar-com-banco

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