Uma omissão imperdoável

* Por Rubens Menin

O empresariado brasileiro é composto, em sua grande maioria, por lideranças responsáveis e comprometidas com os princípios da ética e da cidadania que fazem prosperar uma nação. Por isso, seria natural que essa parcela preponderante – isoladamente ou por meio das entidades de classe – se manifestasse em todas as oportunidades em que esse padrão de comportamento deixasse de ser observado em alguma ocasião especial, por qualquer agente importante. No entanto, estamos vivendo uma dessas ocasiões, sem que se ouça e se veja qualquer manifestação explícita de repúdio por parte desse importante setor econômico ou de seus representantes. Refiro-me ao terremoto produzido pela delação premiada da JBS, com todos os seus detalhes rocambolescos, e pelas declarações e entrevistas subsequentes, feitas pelos principais executivos daquela empresa e amplamente divulgadas pela mídia nacional.

Na verdade, esses criminosos confessos foram rápida e profundamente execrados pela atônita sociedade brasileira, em que pesem os esforços de algumas correntes políticas interessadas em perdoar-lhes os pecados diante do estrago que a sua delação poderia trazer às hostes adversárias. Mas, faltou e ainda está faltando, a manifestação enfática dos empresários e de suas entidades representativas. De todos os criminosos envolvidos nesse lamaçal, o que ficou em maior evidência foi Joesley Batista, não só pela sua personalidade menos circunspecta, como pelo papel que desempenhou no próprio processo de delação premiada e de negociação com a Justiça. Por essa razão, aponto para ele, simbolicamente, todas as observações que a situação impõe. 

As atividades expostas e confessadas por Joesley Batista não correspondem ao padrão empresarial praticado no Brasil, nem em qualquer outra parte do mundo civilizado, e sua exposição despudorada, neste caso, teve apenas o péssimo efeito de reforçar o preconceito antiempresarial e a hostilidade no ambiente dos negócios que já vinham entranhadas na mentalidade dominante em nossa sociedade. É importantíssimo que todos fiquem esclarecidos de que essa prática não pode ser vista ou entendida como uma atividade empresarial. Trata-se, pura e simplesmente, de uma atividade criminosa e, neste caso da JBS, feita em larga escala. Pelas declarações despudoradas de Joesley Batista e do executivo Ricardo Saud, a sociedade brasileira ficou sabendo que o Grupo JBS corrompeu, sistematicamente, mais de 1900 pessoas, entre políticos, autoridades e funcionários públicos, aplicando nessa criminalidade desenfreada, bilhões de reais.
Empresário algum que tenha compromisso com as equipes que lidera, pode acreditar que sua atividade seja sustentável e saudável quando ela está baseada na corrupção sistemática de funcionários e autoridades governamentais, em favorecimento ilícito por parte de fiscais ou mesmo em benefícios indecentes por parte de agências públicas. Não é assim que a grande maioria do empresariado nacional trabalha e põe em marcha os seus negócios. 

Mas faltou dizer isso claramente para os bandidos confessos deste caso e para a sociedade brasileira. É hora das nossas lideranças empresariais se posicionarem de forma enfática, utilizando todos os meios e recursos disponíveis. Essa obrigação está atrasada, mas nunca é tarde demais para se fazer a coisa certa.

* Rubens Menin é Presidente do Conselho de Administração da MRV Engenharia.

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