Conscientização na gastronomia: a sustentabilidade virou um importante ingrediente da cozinha

Encontrada em diversos situações do cotidiano do ser humano, a sustentabilidade virou um importante ingrediente da cozinha

Reutilizar a água, os materiais recicláveis e diminuir o consumo são algumas das principais características propostas pela sustentabilidade. A ligação desses conceitos com a natureza é muito comum no dia a dia. O que muita gente não sabe é que o termo sustentabilidade também pode ser conectado com ações socioeconômicas e que começam na mesa dos brasileiros.

O consumo excessivo de alimentos que não são orgânicos causa um impacto direto no meio ambiente. Para reduzir essa demanda, foi criado o conceito de gastronomia sustentável que se preocupa com as fontes das matérias-primas utilizadas no preparo dos pratos para diminuir ao máximo os danos ao meio ambiente. Esse conceito também contribui com o desenvolvimento regional e com a utilização de produtos da época, os sazonais.

Estabelecimentos gastronômicos investem, cada vez mais, em práticas sustentáveis, como a utilização de produtos orgânicos, reduzindo a quantidade de agrotóxicos que prejudicam a vida humana. Foi assim que Mônica Olivato decidiu abrir as portas do restaurante Varanda Orgânica, localizado na zona sul de Ribeirão Preto. “Produtos orgânicos já faziam parte da minha vida e gostaria de proporcionar uma alimentação mais saudável para as pessoas, visto que o Brasil está entre os países que mais usam agrotóxicos”, conta a empresária.

Outro ponto crucial para a alimentação sustentável é a conscientização diante do desperdício de alimentos. Evitar jogar alimentos fora reduz os gastos com ingredientes, aproveita melhor os nutrientes e ainda reduz a produção de resíduos orgânicos. No restaurante de Mônica, isso já é praticado. “Nossos produtos são selecionados assim que recebemos, para diminuir o desperdício e para que possam ser reutilizados”, comenta a empresária.

Os alimentos considerados sustentáveis também devem estar fora do risco de extinção. Evitar o uso desses alimentos, como o pequi, muito utilizado em Minas Gerais e Goiás, e dar preferência a alimentos sazonais, reduz as possibilidades de extinção, incentiva a produção legalizada e evita doenças provenientes da exploração ilegal destes recursos.

O consumo começa dentro de casa

A jornalista Juliana Dias sempre teve o costume de ter alimentos saudáveis sob a mesa, mas há quatro anos, vem se dedicando e adaptando mais à alimentação saudável. Esse hábito se iniciou com sua mãe, com tentativas de plantação de hortas verticais de legumes e verduras, e agora, Juliana possui sua própria horta. “Hoje minha horta possui rabanete, pimenta, orégano, tomate, manjericão, alecrim e também tenho um limoeiro”, conta ela.

Para Juliana, é grande a esperança de que as pessoas se conscientizem cada vez mais e que o mercado gastronômico sustentável cresça. A jornalista espera que as pessoas consigam entender que a alimentação precisa ser melhor pensada. “Não dá para viver e comer mecanicamente”, avalia Juliana.

A empresária Daniela Prata abriu um mercado sustentável, no início de 2016, para aproximar consumidores e produtores artesanais locais, com produtos orgânicos e hidropônicos. “Enfocamos uma produção mais moderna, ecoamigável e sustentável, porque acreditamos que isso reflete na qualidade do produto”, comenta a sócia da Casa55.

A Casa55, localizada na zona sul de Ribeirão Preto, é conhecida por sua curadoria, ou seja, o cuidado na hora de escolher os produtos colocados na prateleira. Daniela comenta que possui uma parceria com os produtores. “Conhecemos esses produtores pessoalmente, visitamos as produções para conferir como é a água e se os produtos são realmente orgânicos ou não”, conta a empresária.

Muitos desses produtores têm dificuldade em chegar ao cliente, sendo encontrados apenas em feiras orgânicas que acontecem na cidade. O mercado sustentável tem o papel de conectar esses produtores a mais clientes, em uma questão socioeconômica, permitindo sempre novas safras dos produtos.

Em relação ao custo benefício desses produtos, a empresaria afirma que são mais caros dos que os produtos convencionais, por sua produção ser mais demorada, sem uso de agrotóxicos e sempre em pouca quantidade, garantindo uma qualidade melhor. “Sempre vai ser mais caro, porque os custos de produção são mais elevados”, afirma.

Além do hortifrúti, massas e queijos, o mercado possui um açougue sustentável, com selos reconhecidos mundialmente, sendo eles o “Rainforest Alliance Certified”, selo sustentável, e o “Carne Neutra”, onde a emissão de gases durante o manejo dos animais deve ser amenizada no meio ambiente. “É uma das poucas carnes no Brasil todo que possuem esses dois selos no mercado”, finaliza Daniela.

Por: Sarah Almeida – Ribeirão Preto/SP
Uma jornalista em formação e apaixonada por hambúrguer, coxinha e pizza, e tem prazer ao escrever sobre o lugar que mais gosta ao redor do mundo: aonde as comidas são feitas
E-mail: sarahjuliaa@gmail.com

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