Expectativas de mercado: crescimento modesto do PIB em 2017 e retomada em 2018

Inflação atinge menor valor em 10 anos e se situa abaixo do centro da meta; análise é do Boletim Conjuntura do Ceper/Fundace

A Boletim Conjuntura do Ceper/Fundace, que analisa dados coletados em meados de junho deste ano pelo Banco Central do Brasil para crescimento do PIB, inflação medida pelo IPCA, resultado primário como proporção do PIB e saldo em conta corrente, para 2017 e 2018 mostra que a expectativa de crescimento modesto do PIB em 2017 e retomada em 2018.

Segundo os dados, a expectativa média atual do mercado para crescimento do PIB é de 0,40% para este ano e 2,20% para o ano que vem. Quando comparadas às taxas do Boletim Conjuntura anterior, de abril deste ano, que foram 0,43% e 2,50%, respectivamente, notamos um piora sutil para 2017 e uma piora um pouco maior para 2018.

“A incerteza e a instabilidade política contribuíram negativamente para a formação das expectativas mais recentes quanto à evolução da economia brasileira”, justifica o pesquisador do Ceper e coordenador do estudo, Luciano Nakabashi.

Com relação à inflação, o Boletim mostra que a variação do IPCA esperada para 2017 é de 3,64%, enquanto que para 2018 é 4,33%, ambas abaixo da meta de 4,5% estipulada pelo Conselho Monetária Nacional (CMN).

“Neste caso, a baixa atividade econômica facilita o trabalho o Banco Central que vem promovendo sucessivos cortes da taxa básica de juros Selic, dado o declínio das expectativas de inflação futura”, analisa o pesquisador.

Ainda segundo a análise dos dados do BCB, as expectativas medianas do mercado quanto ao resultado primário são que o Brasil continuará apresentando déficit em 2017 (-2,20% do PIB) e em 2018 (-1,80% do PIB). Tais valores são exatamente os mesmos observados no Boletim CEPER de Conjuntura anterior.

E por fim, para o saldo em conta corrente, espera-se que este se mantenha negativo em 2017 e 2018: -23,50 e -35,50 bilhões de dólares, respectivamente. apresentam uma previsão de déficit menor em 2,5 e 1,5 bilhões de dólares em relação às previsões do Boletim anterior.

Inflação – Em maio deste ano, a inflação geral, acumulada em 12 meses, foi de 3,60%, menor valor desde maio de 2007. Contribuiu fortemente para este resultado a variação dos preços de itens comercializáveis, cuja inflação acumulada em 12 meses, em Maio/2017, chegou a 2,58%.

Com a queda da inflação e da expectativa de inflação nos últimos períodos e sua chegada ao centro da meta, além do contexto de recessão econômica, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu por reduzir, em mais 100 pontos base, a taxa de juros Selic. “Tal decisão foi unânime e veio em linha com o consenso de mercado”, avalia Nakabashi. Segundo ele, apesar desta falta de viés para a próxima reunião, mais cortes na taxa básica de juros são esperados, dado o cenário de baixa expectativa de inflação e baixa atividade econômica.

Análise – De acordo com Nakabashi, de uma forma geral, a atual equipe econômica tem se concentrado em medidas que são relevantes para colocar economia brasileira “nos eixos”. “O foco tem sido na redução dos gastos do governo e na aprovação de reformas de modo a colocar as contas públicas em uma trajetória sustentável, além das medidas para controlar a inflação que se encontrava em perigosa trajetória ascendente após os inúmeros erros de política econômica no governo Dilma”, detalha o pesquisador.

Ele pontua ainda que a atual equipe econômica também já estava focando em medidas e reformas para melhorar a eficiência econômica, medidas estas que podem sofrer atraso com a maior instabilidade política.

“A inflação já se encontra controlada, mesmo após a liberação dos preços administrados em 2015, que era uma inflação que estava represada na tentativa de controlar uma inflação que estava em trajetória ascendente e começando a ficar fora de controle”, avalia.

Esta queda da inflação permite uma trajetória de redução das taxas de juros nominal e real, dando um pouco de alento à demanda, além de reduzir a necessidade de financiamento do setor público.

Para ele, caso a agenda de reformas sejam mantida, o governo Temer terá sucesso em deixar uma economia preparada para que o País retome uma trajetória de crescimento acima da média mundial, o que parece estar cada vez mais difícil em decorrência de sua maior fragilidade após a delação dos irmãos Batista.

“De qualquer forma, a redução dos juros com inflação controlada já propicia um cenário melhor em 2017 e 2018 em relação as três anos anteriores, mas é preciso não perder de vista a agenda de reformas para que o Brasil consiga quebrar essa barreira de estagnação econômica que já levou o país a perder mais uma década de crescimento e desenvolvimento econômico”, conclui Nakabashi.

O Boletim Conjuntura ainda traz dados sobre taxa de desemprego, utilização de capacidade instalada na indústria, índices de Confiança do consumidor, de serviços e da indústria e está disponível na íntegra no site da Fundace no link https://www.fundace.org.br/_up_ceper_boletim/ceper_201706_00295.pdf.

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